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A classificação histórica de couros exóticos da Chanel: um ponto de viragem para a moda de luxo
Numa decisão histórica, a Chanel anunciou que suspenderá completamente a produção de todos os couros exóticos, tornando-se a primeira grande marca de luxo a assumir uma posição tão definitiva. A partir de 31 de maio de 2019, a grife francesa não criará mais acessórios, bolsas, sapatos ou roupas usando peles de cobras, crocodilos, lagartos ou arraias. Esta medida, inicialmente sugerida em dezembro de 2018, reflete uma crescente consciência ética dentro da indústria.
Por que Chanel está dizendo adeus aos exóticos
A decisão da Chanel decorre da crescente dificuldade em adquirir peles exóticas que se alinhem com os padrões éticos da marca. Num comunicado oficial, a empresa enfatizou o seu compromisso com a integridade e rastreabilidade em toda a sua cadeia de abastecimento. “É nossa experiência que está se tornando cada vez mais difícil obter peles exóticas que correspondem aos nossos padrões éticos”, disse o comunicado. A marca agora se concentra no desenvolvimento de uma nova geração de produtos de alta qualidade utilizando materiais alternativos.
Reação e impacto da indústria
Embora seja pouco provável que a medida da Chanel tenha um impacto significativo no seu desempenho financeiro – os analistas estimam que os couros exóticos desenvolvam apenas com uma porcentagem elevada de um dígito para as vendas totais – ela envia uma mensagem poderosa ao setor do luxo. Os ativistas dos direitos dos animais há muito que criticam o comércio de peles exóticas por alegados abusos de animais e bastante ilegais, que ameaçam as populações selvagens. A abordagem proativa da Chanel poderá iniciar outras marcas de luxo a seguirem o exemplo.
Nomeadamente, outros grandes intervenientes como a Hermès, a LVMH e o Grupo Kering adotaram uma estratégia diferente: possuir e operar explorações de repteis para garantir o completo ético e o bem-estar animal em toda a cadeia de abastecimento. François-Henri Pinault, Presidente e CEO da Kering, destacou a importância das práticas sustentáveis, afirmando: “Não é uma espécie em extinção, mas se não mudarmos nada, tornar-se-ão uma espécie em extinção”.
Uma mudança em direção ao luxo ético
A indústria do luxo está testemunhando uma onda de procura por produtos éticos e sustentáveis, especialmente entre os millennials e a geração Z. Esses consumidores favorecem cada vez mais marcas que demonstram responsabilidade social e ambiental. Numa medida notável, a loja de departamentos britânica Selfridges fornecerá produtos feitos de peles de píton, crocodilo, crocodilo ou outras peles exóticas a partir de fevereiro de 2020, optando por couro derivado de gado agrícola.
A decisão da Chanel de couros exóticos marca um momento crucial na moda de luxo, remodelando as práticas de adequação e as expectativas dos consumidores. À medida que a indústria evolui, a ênfase na ética e na sustentabilidade provavelmente se tornará um fator definidor para as marcas de luxo em todo o mundo.
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